Em 22 anos de imagens Landsat, o coração da reserva manteve a vegetação densa e vigorosa. O índice NDVI ficou entre 0,68 e 0,73 nas quatro datas analisadas.
As folhas saudáveis absorvem a luz vermelha para fazer fotossíntese e refletem fortemente o infravermelho próximo. O NDVI compara essas duas faixas captadas pelo satélite e devolve um número entre −1 e +1.
Em manguezal, valores acima de 0,7 indicam copa fechada e vigorosa. Água, lama e areia ficam abaixo de 0,2. Cada pixel do mapa cobre 30 × 30 m, ou 0,09 hectare.
Escolha uma data. Todos os mapas usam a mesma escala de cores, então a mesma cor significa o mesmo valor em qualquer ano.
A linha mostra o valor típico de NDVI dentro do coração em cada passagem. Ele varia pouco ao longo de 22 anos, sempre dentro da faixa de copa vigorosa.
O valor sobe de 0,68 em 2002 para 0,73 em 2024. O mais alto da série veio na imagem mais recente, de 19/02/2024, captada pelo Landsat 9.
A faixa sombreada mostra onde ficam 80% dos pixels. Ela se alarga para baixo por causa das bordas do canal, onde água e lama entram no pixel conforme a maré.
Cada barra soma os 27 ha do coração. A comparação entre 2002 e as demais datas exige cautela, porque o satélite mudou: veja a nota abaixo.
Dentro do coração, a maioria dos pixels não mudou mais que 0,1 no índice, que é a margem de ruído entre sensores e datas diferentes. A mediana subiu levemente, .
O canal a leste responde à maré. A cor ali indica mais água ou mais lama no momento da passagem, não mudança na vegetação.
As perdas pontuais se concentram nas margens do canal e em manchas pequenas. Nenhuma forma um bloco contínuo que indique corte ou aterro. Vale conferir em campo os pontos marrons mais intensos.
O recorte cobre o manguezal, a mata ao norte, a faixa de rio e praia a leste e a borda com a restinga e a área urbana ao sul. Os mapas mostram as quatro classes de NDVI na primeira e na última data.
Na vegetação, os ganhos são o dobro das perdas. A mata ao norte e o manguezal ficaram mais vigorosos, e a classe moderada encolheu enquanto a densa cresceu.
As perdas de vegetação somam cerca de 17 ha e ficam sobretudo na metade sul, na transição para a restinga e a área urbana. É o trecho que mais merece acompanhamento.
Na faixa de rio e praia, a mudança reflete o nível da água e da maré em cada passagem, não a vegetação. Áreas em branco nos mapas não têm leitura válida em todas as datas e ficaram fora dos cálculos.
Nas quatro datas analisadas, o NDVI mediano ficou acima de 0,68, um patamar típico de manguezal com copa fechada.
Entre 2002 e 2024, 71% dos pixels ficaram estáveis. Ganhos e perdas se equilibram e se concentram nas bordas do canal.
A área acima de 0,7 passou de 9,4 ha para 16,0 ha. Entre 2014 e 2024, já com o Landsat 8 e 9, ela subiu de 11,4 para 16,0 ha.
No recorte completo, a copa densa passou de 95 para 122 ha. As perdas de vegetação se concentram na borda sul, junto à restinga e à área urbana, e merecem vistoria em campo.
| Data | Satélite | Qualidade | Mediana |
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Limites desta análise: as datas variam entre janeiro e março e a maré muda de uma passagem para outra. A troca de sensor entre 2002 (Landsat 7) e as demais datas (Landsat 8/9) traz uma incerteza de alguns centésimos no índice. O próximo passo é montar composições sazonais para cada ano, com máscara automática de qualidade (banda QA_PIXEL).