APREMAI · Relatório de monitoramento por satélite · 2002–2024

Saúde do Mangue da Barra do Saí

Em 22 anos de imagens Landsat, o coração da reserva manteve a vegetação densa e vigorosa. O índice NDVI ficou entre 0,68 e 0,73 nas quatro datas analisadas.

0,73NDVI mediano do coração em fev/2024
27 haárea do coração da reserva monitorada
71%dos pixels estáveis entre 2002 e 2024
Mapa de NDVI de 19 de fevereiro de 2024, com o contorno do coração da reserva
N ↑
300 m
Prancha 1 · NDVI · 19/02/2024 · Landsat 9 OLI-2WRS-2 220/078 · 30 m
Como ler os mapas

O que o NDVI mede

As folhas saudáveis absorvem a luz vermelha para fazer fotossíntese e refletem fortemente o infravermelho próximo. O NDVI compara essas duas faixas captadas pelo satélite e devolve um número entre −1 e +1.

Em manguezal, valores acima de 0,7 indicam copa fechada e vigorosa. Água, lama e areia ficam abaixo de 0,2. Cada pixel do mapa cobre 30 × 30 m, ou 0,09 hectare.

NDVI = (ρNIR − ρVermelho) ÷ (ρNIR + ρVermelho)
< 0,2Água, lama, areia
0,2–0,5Vegetação rala
0,5–0,7Vegetação moderada
> 0,7Copa densa
Atlas · quatro passagens do satélite

A reserva ano a ano

Escolha uma data. Todos os mapas usam a mesma escala de cores, então a mesma cor significa o mesmo valor em qualquer ano.

N ↑
300 m
NDVI mediano no coração
copa densa (> 0,7)
faixa p10–p90

Distribuição dos pixels do coração

Progressão · coração da reserva

Vigor estável há duas décadas

mediana 80% dos pixels (p10–p90)

A linha mostra o valor típico de NDVI dentro do coração em cada passagem. Ele varia pouco ao longo de 22 anos, sempre dentro da faixa de copa vigorosa.

O valor sobe de 0,68 em 2002 para 0,73 em 2024. O mais alto da série veio na imagem mais recente, de 19/02/2024, captada pelo Landsat 9.

A faixa sombreada mostra onde ficam 80% dos pixels. Ela se alarga para baixo por causa das bordas do canal, onde água e lama entram no pixel conforme a maré.

Composição · hectares por classe dentro do coração

A copa densa cresce de 9 para 16 hectares

Cada barra soma os 27 ha do coração. A comparação entre 2002 e as demais datas exige cautela, porque o satélite mudou: veja a nota abaixo.

água, lama, areia rala moderada densa
Mudança · 26/03/2002 → 19/02/2024

Onde a vegetação mudou

Mapa da diferença de NDVI entre 2002 e 2024
N ↑
300 m
Prancha 3 · ΔNDVI 2002 → 2024marrom = perda · verde-azulado = ganho

Dentro do coração, a maioria dos pixels não mudou mais que 0,1 no índice, que é a margem de ruído entre sensores e datas diferentes. A mediana subiu levemente, .

O canal a leste responde à maré. A cor ali indica mais água ou mais lama no momento da passagem, não mudança na vegetação.

As perdas pontuais se concentram nas margens do canal e em manchas pequenas. Nenhuma forma um bloco contínuo que indique corte ou aterro. Vale conferir em campo os pontos marrons mais intensos.

Recorte completo · 214,7 ha analisados

Além do coração: a paisagem inteira

O recorte cobre o manguezal, a mata ao norte, a faixa de rio e praia a leste e a borda com a restinga e a área urbana ao sul. Os mapas mostram as quatro classes de NDVI na primeira e na última data.

Classes de NDVI no recorte completo em 26 de março de 2002
N ↑
300 m
Prancha 4a · Classes · 26/03/2002Landsat 7
Classes de NDVI no recorte completo em 19 de fevereiro de 2024
N ↑
300 m
Prancha 4b · Classes · 19/02/2024Landsat 9
água, lama, areia rala moderada densa
NDVI mediano do recorte, 2002 → 2024
copa densa no recorte, 2002 → 2024
da vegetação estável ou em ganho

Hectares por classe no recorte

Mudança entre 2002 e 2024

Na vegetação, os ganhos são o dobro das perdas. A mata ao norte e o manguezal ficaram mais vigorosos, e a classe moderada encolheu enquanto a densa cresceu.

As perdas de vegetação somam cerca de 17 ha e ficam sobretudo na metade sul, na transição para a restinga e a área urbana. É o trecho que mais merece acompanhamento.

Na faixa de rio e praia, a mudança reflete o nível da água e da maré em cada passagem, não a vegetação. Áreas em branco nos mapas não têm leitura válida em todas as datas e ficaram fora dos cálculos.

Conclusões

O que os dados mostram

O coração está saudável

Nas quatro datas analisadas, o NDVI mediano ficou acima de 0,68, um patamar típico de manguezal com copa fechada.

Não há sinal de degradação

Entre 2002 e 2024, 71% dos pixels ficaram estáveis. Ganhos e perdas se equilibram e se concentram nas bordas do canal.

A copa densa aumentou

A área acima de 0,7 passou de 9,4 ha para 16,0 ha. Entre 2014 e 2024, já com o Landsat 8 e 9, ela subiu de 11,4 para 16,0 ha.

A paisagem ao redor também ganhou vigor

No recorte completo, a copa densa passou de 95 para 122 ha. As perdas de vegetação se concentram na borda sul, junto à restinga e à área urbana, e merecem vistoria em campo.

Método e qualidade dos dados

Como os números foram produzidos

  1. Imagens Landsat Coleção 2, Nível 2 (reflectância de superfície, já corrigida da atmosfera), órbita/ponto 220/078, baixadas do USGS.
  2. Conversão dos valores brutos em reflectância pela fórmula oficial do USGS: ρ = DN × 0,0000275 − 0,2. A versão anterior do NDVI omitia essa etapa e subestimava o índice em cerca de 0,4.
  3. Ajuste do Landsat 7 (2002) para a escala do Landsat 8/9 com os coeficientes publicados por Roy et al. (2016).
  4. Todas as cenas na mesma grade de 30 m, projeção UTM 22, sem reamostragem desnecessária.
  5. Estatísticas calculadas dentro do polígono do coração da reserva (27,06 ha, 300 pixels) e no recorte completo, usando só os pixels com leitura válida em todas as datas (214,7 ha).
DataSatéliteQualidadeMediana

Limites desta análise: as datas variam entre janeiro e março e a maré muda de uma passagem para outra. A troca de sensor entre 2002 (Landsat 7) e as demais datas (Landsat 8/9) traz uma incerteza de alguns centésimos no índice. O próximo passo é montar composições sazonais para cada ano, com máscara automática de qualidade (banda QA_PIXEL).